terça-feira, 15 de agosto de 2017

POEMA DA ASSUNÇÃO DE NOSSA SENHORA DA GLÓRIA

Os cristãos foram a Jerusalém
ver o túmulo de um mulher.
Os cristãos foram a Jerusalém
ver um túmulo cercado de fé.

Ali habitou um corpo
que a este mundo não pertence mais.
Dizem que nunca pertenceu,

pois foi um Corpo Santuário;
Um Corpo Arca Santa;
Um Corpo que deu  Corpo
ao Deus que não tinha corpo,

E que escolheu ter o corpo,
 sangue e rosto de uma Jovem
chamada Maria.

Um Corpo habitação de Deus
na terra não poderia ficar
Se é habitação de Deus
Com Deus deve morar

Ó Assunta,
ao mais alto elevada!
Escutam os cristãos a melodia
caminhando para Jerusalém .
Todos falam com imensa alegria
a verdade... 
É verdade!

Subiu ao alto !
Foi elevada !
Assunta!
   Na glória ...
Ó na glória...
Glória....
Na Missa da Assunção
Cantemos....
Nossa Senhora da Glória!

38 anos de sacerdócio
15 de agosto de 1979. Catedral de Lamego, 11 horas. Ordenação sacerdotal de 3 jovens, o José Melo, o Avelino e eu.
Destes 38 anos de sacerdócio, os últimos 26 ao serviço da Paróquia de São Pedro de Tarouca.

Por intercessão de Maria Santíssima a quem sempre me consagro, concede-me, Senhor:
- a humildade confiante para estar diante de Ti, louvando, glorificando, agradecendo;
- o perdão para os meus pecados, lacunas e limitações;
- o entusiasmo apostólico da primeira hora;
- a graça de viver a alegria sacerdotal junto dos meus irmãos;
- a sabedoria de coração para ensinar e aprender, unir respeitando a diferença, compreender na verdade e na caridade;
- o dom da fidelidade até ao fim;
- aquilo que de bom e de belo deseja o meu coração.

Maria Santíssima, Estrela da manhã, modelo da Igreja que somos, Mãe da Igreja e dos sacerdotes,
Rogai por nós, rogai por mim!

sábado, 12 de agosto de 2017

Especialmente neste dia, a Ti me entrego, Santa Mãe!


Maria, Mãe do Divino Amor

Olho-te e a tua beleza ilumina-me;

Invoco-te, e a tua bondade atende-me.

Procuro Jesus e és tu que me conduzes,

Rezo a seus pés e és tu que me apresentas.

 

Maria, Mãe do Menino Deus!

Mãe querida, cheia de graça,

O Espírito Santo abriu em ti a sua morada

E conservou-te imaculada.

 

Augusta Rainha do Céu e Soberana dos Anjos,

Faz triunfar o Teu amor,

Protege-nos em nossa jornada terrena,

Dá-nos a coragem do arrependimento constante

E a força para vencermos as tentações.

 

Intercessora nossa,

Tu, que tudo podes alcançar,

Lança sobre mim um olhar favorável

Para que eu seja socorrido

Em todas as minhas tribulações,

Angústias e necessidades.

(Adaptado)

Conversas com Maria. De Helena Sacadura Cabral

sexta-feira, 11 de agosto de 2017

Nos noticiários nacionais ignoram-se premeditadamente notícias de perseguições a cristãos


Nos noticiários nacionais ignoram-se premeditadamente notícias de perseguições a cristãos: na República Centro-Africana, a morte de 50 pessoas, numa missão católica em Gambo. No passado domingo, um ataque à Igreja de São Filipe, em Ozubulu, na Nigéria, que causou 13 mortos e 26 feridos.
Para estes nossos irmãos, ir a uma Igreja ao domingo não é um luxo de fim-de-semana ou um compromisso descartável, pois arriscam assim a própria vida.
Exemplos de fé, que nos deviam fazer tremer e corar de vergonha, quando, por cá, trocamos a missa dominical, por mais umas horinhas de sono ou de cabeça metida na areia…

Em dois meses mais 44 mil utentes ficaram sem médico de família

Veja aqui

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

"Senhor, por bondade, acolhe a tua amiga!"

Faz hoje nove anos que minha mãe partiu para os braços do Pai.
Era domingo, esse dia 10 de agosto. Regressava a casa após a Missa mensal em Santa Helena. Reparo no telemóvel. Um número descomunal de mensagens e chamadas não atendidas. Verifiquei. A informação chegou, fulminante, arrasante, semeando em mim uma dor como nunca sentira.
Enquanto passeava pela sala como que sacudindo o sofrimento esmagante, dou comigo a rezar e a agradecer ao Pai a minha pérola de incalculável valor que foi e é a minha mãe.
Neste dia, a saudade cava mais fundo no  coração, enquanto a gratidão se eleva mais alto.
Há vivências que a pobreza das palavras é incapaz de  transmitir. Talvez não seja tão mau assim. Desta forma é preservado o "chão sagrado" das emoções, dos sentimentos, das recordações, dos diálogos, da intimidade.
Uma recordação eu conservo sempre. Bonita, quente, abrangente, fecunda. Minha mãe era amiga de Deus. É assim que rezo por ela diariamente. "Senhor, por bondade, acolhe a tua amiga!"
E dessa amizade simples, pura e bela com Deus, veio para a família e para as pessoas que com ela se cruzaram na vida uma postura de discrição, serviço, entrega, abnegação, altruísmo, carinho, presença.
Aquela alma franciscana, apaixonada pela natureza e pelas gentes, só poderia ter sido moldada pela mão carinhosa de Deus criador e amigo.
Mãe, que navegues no mar imenso do amor de Deus e que junto d'Ele intercedas por nós.

terça-feira, 8 de agosto de 2017



segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Igreja, migrantes e paróquias de origem


Como já disse noutro post, as migrantes têm que aproveitar o tempo de férias para realizar uma série de ações que exigem a sua presença.
As paróquias de origem devem ter isto em conta e procura ajudar os migrantes, sempre tendo em conta que o bem comum da comunidade prevalece sobre os interesses particulares.
- O Batismo ou o Casamento  tem que ser neste ou naquele dia, porque só estamos nessa altura, porque os padrinhos só podem nessa ocasião, porque é quando está toda a família, porque só temos restaurante para essa data...
- O funeral só pode ser em tal dia e às tantas horas porque há familiares fora que não chegam antes...
- A cerimónia da celebração  de Bodas de Prata ou de Ouro tem que ser nesta ou naquela altura , porque é quando estamos cá ou quando os familiares podem vir...
- As reuniões de preparação só podem ser em tal data, porque é quando podemos estar todos...
- etc, etc
 As paróquias, como acima referi, devem ter a situação dos migrantes em conta e procurar acolhê-los.
Mas os migrantes também são chamados a ter em conta:
- A Igreja não é nenhum supermercado onde só se vai quando é preciso ou apetece para buscar o que interessa. Deus não tem fronteiras, é o Senhor de toda a terra. Ser cristão é um compromisso de caminhar em comunidade e com a comunidade, estejamos onde estivermos.
Muitos migrantes dizem que não têm tempo para Deus no lugar/país onde vivem, porque trabalham muito, porque moram longe da Igreja, porque não entendem a língua... Mas estas desculpas valem para a vida laboral, educacional,  de lazer??? Porque será que para Deus arranjamos sempre desculpas?
- Antes de marcar o restaurante, conversa com a paróquia onde pretende realizar  o batismo/casamento...
No pais ou terra onde vivem têm o ano inteiro para realizar a devida preparação  quer para o casamento quer para o batismo...
- "Mãos que não dais, o que é que esperais?", diz o povo. Noutros tempos, muito do progresso das terras de origem devia-se à colaboração dos seus migrantes. No campo social, cultural, associativo, religioso. Hoje, e falando do campo religioso, não são muitas as paróquias que contam com  forte apoio dos seus migrantes. Há algumas, mas não são muitas.
Olhando para as grandes obras que as comunidades cristãos vão erigindo ou reconstruindo, pode-se perguntar: que ajuda deram os migrantes? Em muitos casos, ajuda mínima!
Não são só as paróquias que têm que ter o coração aberto para acolher os migrantes. Os migrantes também têm que ter o coração aberto para colaborarem com as paróquias.


Em muitas paróquias foram ficando praticamente só os velhinhos, porque jovens e adultos migraram. Os agentes pastorais ficaram com os velhinhos, que, logicamente merecem toda a atenção. Mas não deveria a Igreja fazer um esforço em deslocar mais agentes pastorais para o acompanhamento de migrantes? Sobretudo os mais jovens e de meia idade pela capacidade que têm de adaptação a novas realidades.
Penso que a Igreja que está em Portugal poderia e deveria cultivar muito mais  o espírito de êxodo, tão bíblico e tão português, pese embora as dificuldades que daí derivariam.

domingo, 6 de agosto de 2017

Verão, migrantes e serviços públicos

A chegada dos migrantes à terra natal enche de alegria as suas famílias e amigos. Matam as saudades, reforçam a empatia familiar, convivem com os amigos, tratam da sua vida, descansam.
Quantos falamos de migrantes, referimo-nos às:
- migrações internas - aqueles que deixaram a sua terra e foram viver para outro local dentro do mesmo país;
- migrações externas - aqueles que deixaram o seu país e foram viver para outro país.


Embora a situação tenha melhorado, está longe do satisfatório. A burocracia tentacular faz a vida negra ao cidadão, mormente, como é os casos dos migrantes, quando o tempo é pouco e precisam de resolver tantas situações em tão pequeno período de férias.
Quanto ao peso da burocracia, as suas queixas são muitas. Passam as passas do Algarve para tentar resolver os seus problemas em tão limitado período de tempo.
Claro que a vinda dos migrantes estimula o comércio local e deixa, por isso, os comerciantes satisfeitos.
Mas também se ouvem muitas queixas de quem trabalha em repartições, espaços comerciais, etc. Ouço  bastantes vezes a pessoas que trabalham nestes espaços: "Nunca mais passa o mês de agosto!"
Esses trabalhadores queixam-se, sobretudo, da arrogância de muitos migrantes que pensam que têm 'o rei na barriga'. Querem ter sempre razão e pensam que "os outros são seus escravos". Falta-lhes humildade perante a vida e sentido de respeito em relação a quem os serve. Muitos gostam de se exibir e de chamar a atenção sobre si mesmos. Protestam por tudo e por nada como se fossem os donos da verdade.
Residentes e migrantes são todos cidadãos, iguais em direitos e deveres.
As relações devem pautar-se pela humildade perante a vida, pelo respeito mútuo, pela compreensão, pela ajuda recíproca.


Um dos factos que chama a atenção de muita gente é a necessidade que muitos migrantes têm de, na sua terra natal, falarem a língua estrangeira. Penso ser um fenómeno exibicionista que revela um certo parolismo. Aliás, a forma como usam a referida língua estrangeira identifica-os imediatamente.
Com respeito para com quem assim procede, não posso concordar. É que, como refere Fernando Pessoa, «A minha pátria é a língua portuguesa».

sábado, 5 de agosto de 2017

Emigrantes das décadas de 60/70 e emigrantes atuais



As circunstâncias mudam. A evolução pessoal, social e de mentalidades também.
Nas décadas de 60/70, a situação económica, apesar de tudo, era muito diferente da atual. A pobreza de largas camadas populacionais, mormente no interior, era enorme. As pessoas emigravam para fugir à miséria, na expectativa de um futuro melhor para si e para os seus. A escolarização era então baixíssima, muitos não sabiam ou mal sabiam ler.
Ao emigrar, o português queria trabalhar e poupar o máximo, mesmo sujeitando-se a condições de vida muito sóbrias. A ideia era colocar em Portugal a maior quantidade de dinheiro possível, tendo em perspetiva, a médio ou longo prazo, contruir casa, comprar terrenos, aventura-se no negócio, adquirir/fundar a sua pequena empresa ou, tão somente, ter um fundo de maneio que lhe possibilitasse uma um viver tranquilo no futuro.
Nestas décadas, as remessas dos emigrantes foram fundamentais para as contas públicas do país.
Casas novas foram surgindo por todo o lado, os investimentos na educação dos familiares dos emigrantes eram um facto, terras foram adquiridas, negócios vários aconteceram, a mudança de mentalidades foi surgindo, a apoio ao desenvolvimento social, cultural e religioso das terras de origem foi notório.
Atualmente a emigração reveste-se de um cariz diferente.
Fruto da mudança cultural e social, as pessoas que emigram tentam viver nos países de acolhimento uma vida normal. Já não existe aquela ideia de poupar a todo o custo, sujeitando-se a condições rudimentares. Até porque esses países têm regras quanto à habitação, educação dos filhos, etc.
Ora se nos países de acolhimento se ganha mais do que aqui, também a vida é mais cara. Fazer nessas terras uma vida social normal tem os seus custos. Basta ver quanto custa nesses países uma cerveja ou um café...
Assim os investimentos em Portugal decaíram, as poupanças também, o apoio ao desenvolvimento cultural, social e religioso caiu imenso. Conheço mesmo casos em que os emigrantes, quando passam pela terra de origem, vêm à procura de ajuda de seus pais e familiares! Quando antigamente era exatamente ao contrário.
Também já ouvi da boca de emigrantes isto: "O que interessa é levar uma vida normal lá fora, mesmo que pouco ou nada poupemos. Quando regressarmos, com a reforma que trazemos, vivemos aqui muito bem."
Nesta perspetiva, muitos tendem a ficar no estrangeiro até à reforma, criando e educando lá os seus filhos que, maioritariamente, não regressarão a Portugal. É a 2ª geração de emigrantes. E quantos destes não contribuem claramente para o desenvolvimento dos países de acolhimento? No empresariado, no trabalho qualificado, na ciência, na investigação, na política, nas artes... Quanto devem esses países aos emigrantes! Não só em relação ao bom profissional da 1ª geração, como também às competências desenvolvidas pela 2ª e 3ª gerações.
Reformados, muitos regressam a Portugal para gozar a reforma. Mas como têm os filhos no estrangeiro, dividem o ano em temporadas, umas passadas cá, outras lá.
De 6 a 13 de agosto, decorre a Semana das Migrações, com o tema ‘Acolher o futuro - Novas gerações migrantes são o amanhã da humanidade’.

quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Colaborador do Sopé da Montanha oferece livro à Paróquia e ao Jornal


Este livro, Conversas com Maria, nasceu da vontade de dar continuação ao que se tornou, nos últimos anos, uma necessidade espiritual minha, que começou com o livro Vida e Alma e prosseguiu nos Caminhos para Deus.
A carência de valores verificada na sociedade actual, a globalização e o abandono de alguma prática religiosa constituem uma preocupação da Igreja, do Papa e dos muitos católicos que ensaiam resistir a todas estas perdas.
Devo confessar que também sofro as conse­quências dessas circunstâncias e, a meu modo, vou lutando para elas não me marquem nem se apoderem de mim
Seja por sentir que o mundo ainda é marcadamente masculino, ou seja pelo resultado das transformações sociais que atrás referi, o certo é que ultimamente  comecei a ter a percepção de que se se tornava urgente reflectir no papel de Maria, a Virgem Mãe, na Igreja Ou, dito de outra forma, senti que se tornava cada vez mais necessário repensar o lado feminino de Deus.
Eu mesma, apesar de ser mulher, rezava muito mais à Santíssima Trindade do que à Mãe de todos nós. Foi essa constatação que me alertou e espoletou o desejo de mergulhar no Seu mundo, para vir a descobrir a gradeza do mesmo.
       A partir daí e além de partilhar com o leitor as minhas preces Àquela que, creio, me tem sob a sua protecção, este livro faz uma recolha de orações, eruditas e populares, que, pese embora representem uma visão muito pessoal, podem permitir a cada um a sua própria reflexão.
        Será, também, devo confessá-lo, uma forma de homenagear o Ano Mariano, ao qual a vinda do   Papa Francisco a Fátima dará grandeza especial. 
          É o fruto desse trabalho que aqui vos deixo, na presunção de que ele possa trazer-vos tantos benefícios como aqueles que eu, inesperadamente, colhi.
O sr. José António Pais Dias, assinante e colaborador do jornal Sopé da Montanha, em visita ao Director do jornal, ofereceu este livro de Helena Sacadura Cabral, com a dedicatória: "Para a Paróquia de Tarouca e o seu jornal Sopé da Montanha."
Ficamos-lhe muito gratos, quer pela amável visita, quer pelo livro que ofereceu.
Muito obrigado.

quarta-feira, 2 de agosto de 2017


As respostas que não se dão porque não se têm

"Quando alguém me interpela, como ainda ontem a pequena Tânia, uma paroquiana adolescente que conheço bastante bem, dizendo que não entende muito a Deus, ou a Igreja, ou estas coisas da vida, eu sinto-me um pouco impotente. Foi assim que olhei a Tânia e com naturalidade lhe disse que também não entendia tudo. Creio que é muito melhor sermos honestos com Deus, com os outros e connosco, do que fazermo-nos donos e senhores daquilo que nos ultrapassa. A Tânia esperava que eu lhe desse a resposta que precisava, mas eu não a tinha. Além disso, ela tinha de procurar a resposta dentro dela. Como eu também a procuro dentro de mim. Isto não é ser frágil. É ser o que somos, e assumi-lo com naturalidade. Não dei muitos conselhos à Tânia. Não usei a doutrina ou as verdades inquestionáveis da fé. Usei apenas a sinceridade do meu coração e da minha fé. E foi isso que a Tânia levou.
Mas foi com a certeza de que afinal não estava mal diante de Deus. Estava tão só como é."
Fonte: Confessionários dum padre (aqui)

segunda-feira, 31 de julho de 2017

D. Carlos I, Rei de Portugal, assassinado em 1 de fevereiro de 1908

Foto de Carlos Lopes.
D. Carlos I, Rei de Portugal, assassinado em 1 de fevereiro de 1908


- Em 1901, foi publicado o primeiro Código da Estrada, que impunha um limite máximo de 10 km por hora.
- O Rei D. Carlos tinha 150 criados e passava quatro meses por ano entre caçadas, mergulhos no Oceano e viagens de iate.
- O infante D. Afonso, irmão do Rei D. Carlos, não exercia qualquer influência na corte. "Nunca tinha vintém. Os ajudantes ou oficiais às ordens não lhe emprestavam dinheiro, porque sabiam que ele não lhes pagava", desvenda Raul Brandão nas suas memórias. A partir de 1902, o irmão do Rei tornou-se comandante honorário dos bombeiros, pelo que dispunha de um telefone especial em casa para ser informado das principais ocorrências. Mas sobressaiu essencialmente devido à sua paixão pelos carros. Ganhou até a alcunha de Arreda – por ser esse o grito que dava aos peões para se desviarem do caminho, numa altura em que só havia uma centena de automóveis em todo o País.
- O Rei D. Carlos também gostava de automóveis e há relatos de que chegou a ter sete da marca Peugeot – três deles (um 12 cavalos, um 18/24 e um 20 cavalos) foram comprados no mesmo dia, em 1906, quando foi inaugurado o stand dos Restauradores, e onde esteve presente o próprio fundador, Armand Peugeot, que veio de França para cumprimentar o seu melhor cliente em Portugal. Foi nestas viaturas que os príncipes, Luís Afonso e Manuel, aprenderam a conduzir.
- D. Carlos tomava banho no seu fato de malha às riscas, que cobria os ombros e chegava aos joelhos. Depois de dar as suas braçadas, numa altura em que a maioria das pessoas não sabia nadar, saía do mar e ia a pingar até à barraca real, onde mudava de roupa – na barraca, sempre que o Rei estava na praia, era hasteada a bandeira nacional.
- D. Amélia e os príncipes preferiam tomar banho noutra praia, que é hoje conhecida como praia da Rainha. No fim da monarquia, as senhoras entravam no mar de vestido de cauda e com toucas de folhos, de mão dada com o banheiro, "que começava por lhes despejar um balde de água pela cabeça".
- O principal passatempo de D. Carlos em Cascais era explorar o mar no seu iate. A partir de 1896 desenvolveu 12 expedições para inventariar a fauna subaquática na costa portuguesa. As campanhas oceanográficas, pelo espaço que exigiam em alto mar para ter, por exemplo, um laboratório a bordo, levaram o Rei a adquirir sucessivamente quatro iates, todos baptizados com o nome da mulher.
- Longe do mar, o grande prazer do Rei era a caça. Nas férias em Mafra, as caçadas prolongavam-se por três dias. No palácio com 11 quartos dispunha de uma cama exactamente igual à que tinha em Vila Viçosa ou no Palácio das Necessidades, para não estranhar e atenuar insónias, segundo o livro "D. Carlos, Atirador de Caça", de Águedo de Oliveira.
- Alguns dos momentos mais felizes da família eram passados em Vila Viçosa, onde o paço era rodeado por uma tapada com cerca de 1.700 hectares, um terço dos quais destinado a caça. Deslocavam-se ali para passar férias na Páscoa, ou no início do Verão, mas com mais regularidade para descansar todo o mês de Dezembro ou todo o mês de Janeiro.
- Apesar das suas múltiplas deslocações, segundo Rui Ramos, o Rei só saía de Lisboa depois de obter licença do presidente do Conselho, e frisava que voltaria imediatamente se o governo entendesse que era necessário por qualquer razão.
(Excertos de artigo publicado na SÁBADO em 19.8.2010)

domingo, 30 de julho de 2017

"Isto é feio, é cruel, é criminoso"


30 de julho. Dia Mundial contra o Tráfico de Pessoas.
O Papa Francisco pronunciou-se mais uma vez contra o tráfego de pessoas, com acutilância e veemência. Disse:
*  “Desejo apelar ao compromisso de todos para que esta chaga aberrante, uma forma de escravatura moderna, seja adequadamente combatida”.
*  “Milhares de homens, mulheres e crianças” são “vítimas inocentes” desta exploração:
- “laboral 
-  sexual”,
-  de “tráfico de órgãos”.
* “Parece que nos habituamos a considerar tudo isso como algo normal. Isto é feio, é cruel, é criminoso
O Papa pediu aos presentes para rezarem juntos a Nossa Senhora “para que apoie as vítimas do tráfico e converta os corações dos traficantes”.


Sempre me revoltou a passividade/indiferença com que  a sociedade atual olha para esta violenta forma de escravatura moderna, o tráfego de pessoas.
Fazem-se "abaixo-assinados" por qualquer questão; repercute-se vozearia na comunicação social por causas da moda; mas estendem-se passadeira de silencio sobre aquele que penso ser o maior crime moderno: o tráfego de pessoas.
- Carrascos que, servindo-se da legítima esperança das pessoas, as enganam, prometendo mundos e fundos, sugando-lhes o quase nada que possuem, para depois as entregarem à sua sorte ou as conduzirem à escravidão sexual ou laboral.
- Isto não se passa só nos países mais pobres. Quantos portugueses não foram conduzidos por estes carrascos para o trabalho escravo ou abandonados à sua sorte?
- Quantas mulheres escravas no mundo do sexo! Gente que tinha uma esperança viva de um futuro melhor, que se desfez o pouquito que tinha para embarcar nessa esperança, pagando a criminosos, que depois as encaminham para a prostituição!
- E as pessoas que são enganadas(tantas vezes vendidas...) para o inqualificável negócio do tráfego de órgãos?
- E aqueles que são enganados e forçados a entrar no mundo sujo das drogas e das armas?


O "deus" dinheiro no seu melhor! Sempre sanguinário, sempre tirânico, sempre escravizador!
Um insaciável comedor  de pessoas pobres, simples, desprotegidas.
Este "deus" maldito tem sempre muitos sacerdotes pronto a prestar-lhe todo o culto e a imolar-lhe mais vítimas. São os traficantes.

quarta-feira, 26 de julho de 2017

DIA DOS AVÓS

Porque hoje celebramos S. Joaquim e Santa Ana, pais de Maria e avós de Jesus, é Dia dos Avós.
Parabéns a todos os avós! Pelo que são, pelo que representam e pelo papel importantíssimo que têm na formação e educação dos seus netos.
O avô, a avó são uma bênção na família e para a família.

terça-feira, 25 de julho de 2017

"Valerá a pena manter o jornal?"

Há dias, uma assinante do Sopé da Montanha, que se encontra de férias, perguntou-me se recebia alguma coisa pelo meu trabalho como director do jornal. Fê-lo na sequência da conversa que ambos mantivemos sobre o trabalho que dá manter um jornal paroquial há perto de 23 anos.
Respondi à simpática pessoa que recebia muitas, muitas coisas.
- Recebo muitas e muitas  horas extra por mês, que tiro ao meu legítimo descanso;
- Recebo preocupações, incompreensões, críticas injustas, protestos descabidos;
- Recebo necessidade de dar ao dedo e à língua, pois, cada mês, são necessárias umas tantas chamadas, mais uns quantos emails, vários contactos com diferentes pessoas;
- Recebo chatices com as burocracias, pois as exigências da ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) nunca param, além de outras, claro;
- Recebo despesas (deslocações, contactos, papel, computador, máquina fotográfica, várias burocracias que vou pagando do meu bolso, etc);
- Recebo a necessidade de escrever sobre o que é preciso escrever-se e não sobre aquilo que gostaria de escrever;
- Recebo momentos de exaltação e de perda de paciência quando as coisas não correm bem. Nem imaginam o que é escrever textos que nos são enviados à mão ou ainda à maquina de escrever, ambos com acrescentos e rasuras, onde é preciso dar atenção a cada palavrinha do texto para procurar manter a fidelidade ao original;
 - Recebo horas  de trabalhos por mês com o Diretor-Adjunto, tendo em conta a composição do jornal. Digo que admiro a paciência para me aturar, nestas alturas, do Diretor-Adjunto. Não é fácil. Mudar de secção o artigo tal, dar mais relevo ao texto tal, mudar de letra neste texto, criar fundo naquele, organizar tudo para que caiba mais esta notícia que chegou à última hora, etc, etc;
- Recebo indiferenças da comunidade que pensa que o jornal é meu, quando é da comunidade paroquial. Como em muitas coisas, é mais fácil ficar a observar do que dar o corpo ao manifesto... As pessoas participam pouco e exigem muito;
- Recebo o egoísmo daqueles que pensam que o jornal tem que ter sempre as portas escancaradas para si e suas coisas, porque nada mais enxergam para além de si;
- Recebo despesas, nunca lucros. Jamais ganhei um tostão que fosse com o jornal. Pelo contrário...
- Recebo muitos nãos de alguns que dizem sim, mas depois o trabalho combinado não aparece e lá tenho que "me desenrascar".


A pessoa com quem conversava, faz-me então uma pergunta: "Valerá a pena manter o jornal?"
De imediato, respondi que sim. E justifiquei:
- Um filho nunca se abandona, quer nos momentos em que nos dá alegrias, quer quando nos dá despesas, aflições, incompreensões. Criei-o há perto de 24 anos para servir a comunidade paroquial tarouquense. Enquanto for possível, lutarei por ele.
- Confio nas pessoas. E se há gente que é indiferente ao jornal ou não gosta dele, também existe muita gente disposta a lutar comigo pelo Sopé da Montanha como elemento integrante da vida da comunidade paroquial.
- O jornal é um embaixador desta comunidade nos quatro cantos do país e do mundo. E leva a paróquia, seus povos, suas gentes, sua história, seus projetos ao mundo.
- Tem muitas limitações advinda da minhas limitações e das  pessoas que o servem. Não agrada a todos, pois tem uma linha e um rumo, mas procura unir, formar, informar, servir.
- Tem uma equipa dedicadíssima ao seu serviço, desde o Diretor- Adjunto, passando pelo Administrador, continuando naqueles que nele escrevem, o vendem ou recebem as assinaturas. A generosidade, gratuitidade e cuidado desta gente é merecedora de toda a gratidão.


A senhora que me ouvia, concluiu com uma palavra de forte incentivo. "Força! Vão em frente. Não liguem "aos bota-abaixo". Nunca nos deixem órfãos do amigo que mensalmente nos visita. Obrigado por tudo."