segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

sábado, 17 de fevereiro de 2018

Moldura para o Sopé da Montanha

O sr. António José Paes Dias, que escreve no jornal Sopé da Montanha, enviou uma moldura de agradecimento aos colaboradores deste jornal.
Diz assim:
" AOS COLABORADORES - VOLUNTÁRIOS DA INFORMÁTICA
DO JORNAL SOPÉ DA MONTANHA
PELA DEDICAÇÃO LAUDÁVEL A ESSA CAUSA
FACTO DE SUMA RARIDADE NOS NOSSOS DIAS
Tarouca, julho de 2018
António José Paes Dias"

Pessoalmente e em nome dos outros colaboradores, agradecemos ao sr. Paes Dias o gesto e a delicadeza.

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Mensagem da Comissão Episcopal do Laicado e Família para o dia dos Namorados

O “Dia dos Namorados”, pelo mundo inteiro festejado a 14 de fevereiro, está felizmente sob a invocação de São Valentim, um santo italiano do século III que, segundo a tradição, teria apoiado os jovens na vocação ao Matrimónio, contra a ordem do imperador que os impedia de casar, porque os queria livres para servirem no exército romano.
Também hoje a Igreja olha com simpatia e esperança todos os jovens namorados que percorrem este caminho com coragem e oferece-lhes todo o seu apoio para o discernimento e realização da sua vocação ao amor e à constituição de uma família, segundo o pensamento de Deus para cada um.
O namoro é um caminho que brotou de uma atração e que deve levar à descoberta do outro sem pressas e precipitações, para permitir um conhecimento recíproco, em ordem à construção de um projeto de vida comum.
O tempo do namoro é, pois, o tempo da aprendizagem do amor, um tempo exigente, mas belo. Diz o Papa Francisco que “fazer de duas vidas uma só é quase um milagre, um milagre de liberdade do coração, confiado à fé”.
Viver bem o namoro requer tempo, delicadeza, seriedade, que gere confiança, estima recíproca e respeito pela liberdade, que permita a cada um revelar-se tal como é, e de discernirem juntos o projeto de Deus à luz da fé, sem queimar etapas.
Por isso mesmo, é também um caminho percorrido a três. Deus deve ter um lugar na vida dos namorados, porque Ele é a fonte e a origem do verdadeiro amor, de todo o amor.
Caríssimos jovens, vivei o tempo do namoro como descoberta, acolhimento e resposta ao chamamento de Deus ao amor e à vida em plenitude no Matrimónio cristão, aprendendo a amar sem possuir e sem dominar, apoiados na Palavra de Deus, na oração e na vida em comunidade, crescendo no amor e na descoberta da alegria e da beleza da família que o Senhor vos chama a constituir, apoiados na sua graça.
Vivei alegres e puros na entrega do amor! Descobri a sua beleza à luz do amor de Deus manifestado em Jesus. Amai como Ele amou e ama. 
A Igreja acompanha-vos e conta convosco para a constituição de famílias fortes na fé, fiéis, alegres, felizes e fecundas, como Deus as sonhou e as quer constituir convosco. 


terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Começa a Quaresma. Liberte-se!

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2018
«Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (Mt 24,12)

Amados irmãos e irmãs!
Mais uma vez vamos encontrarmo-nos com a Páscoa do Senhor! Todos os anos, com a finalidade de nos preparar para ela, Deus na sua providência oferece-nos a Quaresma, «sinal sacramental da nossa conversão», que anuncia e torna possível voltar ao Senhor de todo o coração e com toda a nossa vida.
Com a presente mensagem desejo, neste ano também, ajudar toda a Igreja a viver, neste tempo de graça, com alegria e verdade; faço-o deixando-me inspirar por esta afirmação de Jesus, que aparece no Evangelho de Mateus: «Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (24,12).
Esta frase encontra-se no discurso sobre o fim dos tempos, pronunciado em Jerusalém, no Monte das Oliveiras, precisamente onde terá início a Paixão do Senhor. Dando resposta a uma pergunta dos discípulos, Jesus anuncia uma grande tribulação e descreve a situação em que poderia encontrar-se a comunidade dos crentes: à vista de fenómenos espaventosos, alguns falsos profetas enganarão a muitos, a ponto de ameaçar apagar-se nos corações o amor que é o centro de todo o Evangelho.
Os falsos profetas
Escutemos este trecho, interrogando-nos sobre as formas que assumem os falsos profetas.
Uns assemelham-se a «encantadores de serpentes», ou seja, aproveitam-se das emoções humanas para escravizar as pessoas e levá-las para onde eles querem. Quantos filhos de Deus acabam encandeados pelas adulações dum prazer de poucos instantes que se confunde com a felicidade! Quantos homens e mulheres vivem fascinados pela ilusão do dinheiro, quando este, na realidade, os torna escravos do lucro ou de interesses mesquinhos! Quantos vivem pensando que se bastam a si mesmos e caem vítimas da solidão!
Outros falsos profetas são aqueles «charlatães» que oferecem soluções simples e imediatas para todas as aflições, mas são remédios que se mostram completamente ineficazes: a quantos jovens se oferece o falso remédio da droga, de relações passageiras, de lucros fáceis mas desonestos! Quantos acabam enredados numa vida completamente virtual, onde as relações parecem mais simples e ágeis, mas depois se revelam dramaticamente sem sentido! Estes impostores, ao mesmo tempo que oferecem coisas sem valor, tiram aquilo que é mais precioso como a dignidade, a liberdade e a capacidade de amar. É o engano da vaidade, que nos leva a fazer a figura de pavões para, depois, nos precipitar no ridículo; e do ridículo não se volta atrás. Não nos admiremos! Desde sempre o demónio, que é «mentiroso e pai da mentira» (Jo 8,44), apresenta o mal como bem e o falso como verdadeiro, para confundir o coração do homem. Por isso, cada um de nós é chamado a discernir, no seu coração, e a verificar se está ameaçado pelas mentiras destes falsos profetas. É preciso aprender a não se deter no nível imediato, superficial, mas reconhecer o que deixa dentro de nós um rasto bom e mais duradouro, porque vem de Deus e visa verdadeiramente o nosso bem.
Um coração frio
Na Divina Comédia, ao descrever o Inferno, Dante Alighieri imagina o diabo sentado num trono de gelo; habita no gelo do amor sufocado. Interroguemo-nos então: Como se resfria o amor em nós? Quais são os sinais indicadores de que o amor corre o risco de se apagar em nós?
O que apaga o amor é, antes de mais nada, a ganância do dinheiro, «raiz de todos os males» (1 Tm 6,10); depois dela, vem a recusa de Deus e, consequentemente, de encontrar consolação n’Ele, preferindo a nossa desolação ao conforto da sua Palavra e dos Sacramentos. Tudo isto se transforma em violência que se abate sobre quantos são considerados uma ameaça para as nossas «certezas»: o bebé recém-nascido, o idoso doente, o hóspede de passagem, o estrangeiro, mas também o próximo que não corresponde às nossas expetativas.
A própria criação é testemunha silenciosa deste resfriamento do amor: a terra está envenenada por resíduos lançados por negligência e por interesses; os mares, também eles poluídos, devem infelizmente guardar os despojos de tantos náufragos das migrações forçadas; os céus – que, nos desígnios de Deus, cantam a sua glória – são rasgados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte.
E o amor resfria-se também nas nossas comunidades: na Exortação apostólica Evangelii gaudium procurei descrever os sinais mais evidentes desta falta de amor. São eles a acédia egoísta, o pessimismo estéril, a tentação de se isolar empenhando-se em contínuas guerras fratricidas, a mentalidade mundana que induz a ocupar-se apenas do que dá nas vistas, reduzindo assim o ardor missionário.
Que fazer?
Se porventura detetamos, no nosso íntimo e ao nosso redor, os sinais acabados de descrever, saibamos que, a par do remédio por vezes amargo da verdade, a Igreja, nossa mãe e mestra, nos oferece, neste tempo de Quaresma, o remédio doce da oração, da esmola e do jejum.
Dedicando mais tempo à oração, possibilitamos ao nosso coração descobrir as mentiras secretas, com que nos enganamos a nós mesmos, para procurar finalmente a consolação em Deus. Ele é nosso Pai e quer para nós a vida.
A prática da esmola liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão: aquilo que possuo nunca é só meu. Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos! Como gostaria que, como cristãos, seguíssemos o exemplo dos Apóstolos e víssemos, na possibilidade de partilhar com os outros os nossos bens, um testemunho concreto da comunhão que vivemos na Igreja. A este propósito, faço minhas as palavras exortativas de São Paulo aos Coríntios, quando os convidava a tomar parte na coleta para a comunidade de Jerusalém: «Isto é o que vos convém» (2 Cor 8,10). Isto vale de modo especial na Quaresma, durante a qual muitos organismos recolhem coletas a favor das Igrejas e populações em dificuldade. Mas como gostaria também que no nosso relacionamento diário, perante cada irmão que nos pede ajuda, pensássemos: aqui está um apelo da Providência divina. Cada esmola é uma ocasião para tomar parte na Providência de Deus para com os seus filhos; e, se hoje Ele Se serve de mim para ajudar um irmão, como deixará amanhã de prover também às minhas necessidades, Ele que nunca Se deixa vencer em generosidade?
Por fim, o jejum tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento. Por um lado, permite-nos experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome. Por outro, expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus. O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome.
Gostaria que a minha voz ultrapassasse as fronteiras da Igreja Católica, alcançando a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, abertos à escuta de Deus. Se vos aflige, como a nós, a difusão da iniquidade no mundo, se vos preocupa o gelo que paralisa os corações e a ação, se vedes esmorecer o sentido da humanidade comum, uni-vos a nós para invocar juntos a Deus, jejuar juntos e, juntamente connosco, dar o que puderdes para ajudar os irmãos!
O fogo da Páscoa
Convido, sobretudo os membros da Igreja, a empreender com ardor o caminho da Quaresma, apoiados na esmola, no jejum e na oração. Se por vezes parece apagar-se em muitos corações o amor, este não se apaga no coração de Deus! Ele dá-nos sempre novas ocasiões para podermos recomeçar a amar.
Ocasião propícia será, também neste ano, a iniciativa «24 horas para o Senhor», que convida a celebrar o sacramento da Reconciliação num contexto de adoração eucarística. Em 2018, ela terá lugar nos dias 9 e 10 de março – uma sexta-feira e um sábado –, inspirando-se nestas palavras do Salmo 130: «Em Ti, encontramos o perdão» (v. 4). Em cada diocese, pelo menos uma igreja ficará aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e da confissão sacramental.
Na noite de Páscoa, reviveremos o sugestivo rito de acender o círio pascal: a luz, tirada do «lume novo», pouco a pouco eliminará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica. «A luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, nos dissipe as trevas do coração e do espírito»,  para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: escutar a Palavra do Senhor e alimentarmo-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor.
Abençoo-vos de coração e rezo por vós. Não vos esqueçais de rezar por mim.
Vaticano, 1 de novembro de 2017, Solenidade de Todos os Santos
 Papa Francisco

domingo, 11 de fevereiro de 2018

É Carnaval. Divirta-se!

Foto de Município de Tarouca.
Foto de Município de Tarouca.
Foto de Município de Tarouca.
Foto de Município de Tarouca.
Foto de Município de Tarouca.
Foto de Município de Tarouca.
Foto de Município de Tarouca.
Foto de Município de Tarouca.
Foliões em desfile carnavalesco cá na terra.


Comadres e compadres,
Enterro do Entrudo,
Deixadas,
Corso carnavalesco,
Danças e marchas,
Fogueiras,
Bailes,
Máscaras e disfarces,
Comidas da ocasião. As mais tradicionais à base de carne de porco...


É Carnaval. Toca a divertir. Porque só se sabem divertir os que rejeitam ofender.


Das coisas que pessoalmente acho sem sentido  é a realização das  "40 Horas" nesta época do ano. Desculpem, mas penso que é uma palermice que só se mantém pela teimosia de meia dúzia de velhos do Restelo que teimam em deslocar os olhos para a nuca...
Não, a culpa não é dos párocos. É daqueles que fazem das tradições humanas o seu deus. Daqueles que são do estilo "sempre se esmorrou, sempre se há-de esmorrar!"
Cada coisa a seu tempo. Agora é Carnaval. Que as pessoas se divirtam. Depois começa o tempo quaresmal. Que saibam fazer Quaresma.
AS "40 HORAS" continuam a ter todo o sentido. Mas no tempo próprio, não neste.


Carnaval. Que os cristãos saiam para o mundo. Brinquem, partilhem, se alegrem. Que levem ao mundo a maneira de ser alegre ao modo de Jesus Cristo.

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

‘Migrações sem tráfico. Sim à liberdade! Não ao tráfico!’

8 de fevereiro: Dia internacional de oração contra o tráfico humano
Esta  data evoca a memória de Santa Josefina Bakhita, uma escrava sudanesa que se tornou religiosa canossiana e que foi canonizada no ano 2000.

“Convido todos os cidadãos e instituições a unirem as suas forças para prevenir o tráfico e garantir proteção e assistência às vítimas”, apelou o Papa Francisco.
Francisco sublinhou que perante as “poucas possibilidades” de encontrarem “canais regulares” para chegarem ao destino desejado, “muitos migrantes decidem aventurar-se por outros caminhos, onde muitas vezes os esperam abusos de todo o tipo, exploração e redução à escravidão”.
“As organizações criminosas, dedicadas ao tráfico de pessoas, usam estas rotas migratórias para esconderem as suas vítimas, entre os migrantes e refugiados”, advertiu.
o Papa Francisco recorreu à rede social Twitter para se insurgir contra este crime.
O tráfico de seres humanos é uma ferida no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo. Trata-se de um delito contra a humanidade”, escreve, numa mensagem replicada pela secção ‘Migrantes&Refugiados’ (@M_RSeccao), do dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral (Santa Sé).
"Rezemos todos para que o Senhor converta o coração dos traficantes  – é uma feia palavra, esta, traficantes de pessoas – e dê a esperança de recuperar a liberdade aos que sofrem por causa desta chaga vergonhosa”, disse o pontífice.
 
O tráfico humano e insensibilidade social
- O tráfego de pessoas é  um crime monstruoso hodierno. Traficantes valem-se de pessoas "simplórias" ou em condições de vida degradantes para as reduziram à escravidão, as comercializarem, enriquecerem através deste comércio nojento e degradante.
- Pessoas, vítimas da fome, da guerra e da miséria, são enganadas com promessas de emprego e ordenado dignos. É-lhes extorquido o que têm - e às vezes não têm -  para pagar a passagem até ao prometido emprego. Uma vez na mão dos traficantes, estes pobres são encaminhados para trabalhos forçados, para a prostituição, para o comércio de órgãos, como correios de drogas e de outros "negócios ilícitos"... É-lhes retirado o passaporte e outros documentos identificativos, são mantidos cativos, são privados de direitos sociais e dão-lhe uma 'côdea' como ordenado que depois lhe retiram completamente ou quase completamente com o argumento de que têm que pagar viagem, alimentação, deslocação e comida. Claro, sem horário de trabalho...
- Não se pense que isto só acontece com africanos e asiáticos. A cada passo  se ouvem notícias de portugueses que são levados para o estrangeiro com a promessa de emprego e salário dignos e depois são encontrados em trabalho escravo. Por exemplo, não têm faltado notícias destas na agricultura espanhola.
- Também se tem falado bastante na comunicação social de estrangeiros que vêm trabalhar para os campos portugueses. Alguns destes têm que trabalhar imensas horas, sem condições e ordenado legais, sem direitos sociais assegurados.
- Há ainda o crime do rapto. Pessoas raptadas para depois serem submetidas as atividades ilegais em serviço escravo.
- O que mais impressiona é que crimes tão monstruosos e iníquos não tenham na comunicação social e na opinião pública a contestação que merecem. Uma sociedade e uma comunicação que fazem uma berraria imensa por tudo e por nada, parecem anestesiadas perante o hediondo crime do tráfego de pessoas. Até quando durará este silêncio e esta surdez?

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018


Foto de Centro Paroquial Santa Helena.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

O que se passa com as autópsias?


A morte de um ente querido é sempre uma experiência de grande sofrimento para quem "cá fica".
Cabe à sociedade tudo fazer para suavizar a dor pela perda de alguém.
Uma pessoa falece numa sexta-feira da parte da manhã  e o funeral realiza-se na terça-feira seguinte, porque a autópsia só foi realizada na segunda?
Algo só pode estar mal!
E a dor daqueles familiares e amigos durante todos estes dias?
Como é possível tanta insensibilidade social perante o sofrimento de famílias que choram o velório do seu familiar sem a presença do corpo?
Porque não atua o governo?  Os deputados não se apercebem desta situação sangrante? E os responsáveis pelo sector? Que andam as entidades responsáveis pela saúde a fazer? E o Presidente "dos afetos" já fez alguma coisa para chamar à liça os responsáveis?
Antes de tudo está a dignidade da pessoa humana. Antes e acima de estatutos profissionais...
A sociedade não pode evitar a morte, ela é certa. Mas PODE E DEVE evitar que as pessoas sofram tão desumanamente.
Não há cidadania sem o respeito pela dor humana!

domingo, 4 de fevereiro de 2018

E se a curto ou médio prazo as nossas estradas e auto-estradas se transformarem em matagais!???



E se a curto ou médio prazo as nossas estradas e auto-estradas se transformarem em matagais!???
Há muito que estou convencido que o futuro dos transportes passa pelo ar. Mais rápido, mas seguro, mais económico...
Já viu o que é um professor de Tarouca, colocado numa escola em Faro, e que faz diariamente a viagem de ida e volta porque esta só demora uma hora?
Quando falo nisto, ainda há muita gente a torcer o nariz. Eu compreendo. Mas olhem que o futuro já começou. Não acredita? Veja Aqui

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

Apontamentos da vida e a vida em apontamentos


Faz hoje oito dias. Aquela experiência com os sem abrigo marcou-me.
Há um pormenor (para mim, 'pormaior'!) que não esqueço. Entre os voluntários, estava um miúdo (10-12 anos) que servia à mesa com uma serenidade e discrição impressionantes.
Fui informado que o pequeno acompanhava os pais no voluntariado, não porque os progenitores lho impusessem, mas porque ele fazia questão de os acompanhar.
É aquilo que dizemos milhões de vezes: "Casa de pais, escola de filhos". O exemplo é tudo.
Que exemplo de serviço aos outros dão os pais modernos???
 
No domingo passado, teve lugar no Centro Paroquial uma reunião de todos os grupos paroquiais. Rezou-se, fez-se um pequeno exercício para tomarmos consciência dos nossos conhecimentos (ou falta deles) em relação à Fé,  discutiu-se vivamente sobre a ação "Celebração do Dia do Diente e do Idoso" que, de acordo com os presentes terá lugar nesta comunidade paroquial em 18 de fevereiro.
Embora o Dia Do Doente seja  11 de fevereiro, achámos que não seria a data propícia, uma vez que tal dia, este ano, cai em plena época de Carnaval e as pessoas estão ocupadas com essa efeméride.
Foi viva e participada a reunião. As pessoas deram a sua opinião, ofereceram-se para colaborar e houve a garantia de ajudas em géneros para o lanche que será servido aos participantes.
Foi um belo momento de Igreja! Parabéns aos participantes.
Pode ver AQUI detalhes sobre a celebração do Dia do Doente e do Idoso nesta Paróquia.
Foto de Carlos Lopes.
Há dias, um professor do Ensino Superior esteve em Tarouca. Acompanhei-o numa visita ao Centro Paroquial. Ficou encantado com o que viu e sentiu. "Estão de parabéns a comunidade e os responsáveis", repetia convictamente.
E ia perguntando a si mesmo como quem expressa um desejo: "Quantas paróquias por aí fora têm estas condições para o trabalho pastoral!?"
Achou delicioso o contraste entre a construção nova e a reconstrução da Casa da Fonte, num plano bem concebido. Tirou fotos de pormenores. Então aquela parte da Casa da Fonte virada para o restante Centro Paroquial encantou-o.
Apreciou a Imagem de Santa Helena, uma obra de arte. Só discordou da sua localização. Quando, no fim da visita, lhe perguntei onde achava que a Imagem ficaria bem, respondeu sem pestanejar: "Entre as escadas de acesso à casa e o palco, frente ao edifício antigo."
Para mim, também foi sempre um dos locais favoritos...
 
Uma vaga de falecimentos atinge esta comunidade nesta altura. Aliás nota-se aqui uma constante ao longo dos anos. Pode haver algum tempo sem funerais, mas se aparece um, por norma, uma série deles vem a seguir...
A nossa prece por quem parte. O nosso respeito para com a dor de quem vê partir um ente querido.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

Servindo os sem-abrigo

Uma vez que praticamente não tive férias, sentia-me cansado e com necessidade de arejar. Tirei 3 dias para ir até Lisboa com familiares e visitar outros familiares e alguns amigos.
Foram três dias 5 estrelas! A amizade, carinho e solicitude com que as pessoas visitadas me envolveram ficaram marcadas no coração.
Depois Lisboa é um mundo fantástico! Como cidade, monumentalidade, ambiente humano diversificado e plural. Liberta-nos do ram-ram do dia-a-dia e abre sempre perspectivas novas.
Além das visitas diurnas, à noite os meus familiares levaram-me a percorrer Lisboa. Tomar uma bebida neste e naquele bar, apreciar a cidade desde pontos panorâmicos - não esqueço o da Graça -, percorrer estas e aquelas ruas, admirar este ou aquele monumento.
Embora no meio da semana, não esqueco o movimento intenso que senti à noite na zona do Cais do Sodré. Bandos de jovens, barulhentos e de copo não mão, saltitavam de bar em bar, fazendo pausas na rua.
Lisboa é uma cidade com nível. Mesmo aquelas zonas, outrora degradadas, tem hoje um semblante novo, lavado, atraente.
Tive uma experiência nova. Numa das noites, um familiar meu convidou-me a ser voluntário numa assiciação que se dedica a apoiar os sem-abrigo. E lá fui. Trata-se de uma associação que vive do voluntariado. Total.
Foram 70 os sem-abrigo que foram atendidos naquela noite e naquela associação. Além do banho e da mudança de roupa, os sem-abrigo tiveram direito a uma refeição e a um pequeno almoço para o dia seguinte.
Qual foi o meu trabalho? Lavar pratos e copos (um copo partiu-se e deixou-me um dedo a sangar!) e ajudar a encher os saquinhos para o pequeno almoço.
No intervalo do serviço, vim até à sala e olhei aqueles rostos limpos dos sem-abrigos. De muitos desses rostos escorriam palpavelmente marcas de sofrimento. Havia gente muito nova. Uma ideia vivenciei nesses momentos: cada sem abrigo é uma pessoa, tão importante como o Papa Francisco, o presidente da República ou o homem mais rico do mundo. É UMA PESSOA!
Aquele beijinhos que uma senhora sem-abrigo me deu ao despedir-se, foi uma ternura de Deus que recebi.
Obrigado, familiares e amigos, pelo carinho, vivências e oportunidades que me proporcionastes!

domingo, 21 de janeiro de 2018

Discurso do Papa aos religiosos no Chile

Este discurso foi pronunciado pelo Papa na noite de segunda-feira, 16 de Janeiro, em Santiago, no Chile. O autor de "Atualidade Religiosa" diz: "Para mim, foi o discurso do dia, um dos melhores do Papa Francisco até hoje. Deixo-o aqui, na íntegra e sem qualquer edição, para que todos possam ler. É longo, mas compensa."
Imagem relacionada
Queridos irmãos e irmãs, boa-tarde!

Estou feliz por participar neste encontro convosco. Gostei do modo como o Card. Ezzati vos apresentou: «Aqui estão... aqui estão as consagradas, os consagrados, os presbíteros, os diáconos permanentes, os seminaristas…» Aqui estão. Fez-me recordar o dia da nossa Ordenação ou Consagração em que, depois da apresentação, dissemos: «Aqui estou, Senhor, para fazer a vossa vontade». Neste encontro, queremos dizer ao Senhor: «Aqui estamos» para renovar o nosso «sim». 

Queremos renovar, juntos, a resposta à vocação que um dia alvoroçou o nosso coração.

E, para isso, creio que nos pode ajudar a passagem do Evangelho que escutamos, compartilhando três momentos de Pedro e da primeira comunidade: Pedro e a comunidade abatidos, Pedro e a comunidade tratados com misericórdia e Pedro e a comunidade transfigurados. Jogo com o binómio Pedro-comunidade, porque a experiência dos apóstolos tem sempre estes dois aspetos: pessoal e comunitário. Andam de mãos dadas, e não os podemos separar. É verdade que somos chamados individualmente, mas sempre para ser parte dum grupo maior. Não existe a «selfie vocacional», não existe. A vocação exige que a foto te seja tirada por outrem; que lhe havemos de fazer? As coisas estão assim.

1. Pedro abatido e a comunidade abatida
Sempre gostei do estilo dos Evangelhos que não adornam, não mitigam os acontecimentos, nem os pintam fazendo-os mais belos. Apresentam-nos a vida como é e não como deveria ser. O Evangelho não tem medo de nos mostrar os momentos difíceis, e até conflituosos, por que passaram os discípulos.

Reconstituamos a situação. Tinham morto Jesus; algumas mulheres diziam que estava vivo (cf. Lc 24, 22-24). Os discípulos, mesmo tendo visto Jesus ressuscitado, tão grande é o acontecimento que precisarão de tempo para compreender o sucedido. Diz Lucas: «Era tão grande a alegria que nem queriam acreditar». Precisavam de tempo para compreender aquilo que tinha acontecido. A compreensão chegar-lhes-á no Pentecostes, com o envio do Espírito Santo. A irrupção do Ressuscitado levará tempo a penetrar no coração dos seus.

Os discípulos voltam para a sua terra. Vão fazer o que sabiam: pescar. Não estavam todos, apenas alguns. Divididos, fragmentados? Não sabemos. O que nos diz a Escritura é que, aqueles que estavam, não pescaram nada. Têm as redes vazias.

Entretanto havia outro vazio que pesava inconscientemente sobre eles: a perplexidade e o turvamento pela morte do seu Mestre. Já não está, foi crucificado. Mas não acabou só Ele crucificado, os próprios discípulos foram joeirados, tendo a morte de Jesus posto em evidência um torvelinho de conflitos no coração dos seus amigos. Pedro renegara-O, Judas traíra-O, os restantes fugiram e esconderam-se. Ficou apenas um punhado de mulheres e o discípulo amado. O resto, foi-se. Questão de dias, e tudo ruiu. São as horas da perplexidade e do turvamento na vida do discípulo. Nos momentos «em que está levantada a poeira das perseguições, tribulações, dúvidas, etc. por causa de factos culturais e históricos, não é fácil atinar com o caminho a seguir. Há várias tentações que caraterizam estes momentos: discutir ideias, não prestar a devida atenção ao caso, fixar-se demasiado nos perseguidores... e – creio que a pior de todas as tentações – ficar a ruminar a desolação».[1] Sim, ficar a ruminar a desolação. Isto é o que sucedeu aos discípulos.

Como nos dizia o cardeal Ezzati, «a vida sacerdotal e consagrada, no Chile, atravessou e atravessa horas difíceis de turbulência e desafios sérios. Juntamente com a fidelidade da imensa maioria, cresceu também a cizânia do mal com as suas consequências de escândalo e deserção».

Momento de turbulência. Sei da dor causada pelos casos de abuso contra menores e sigo com atenção aquilo que estais a fazer para superar este grave e doloroso malefício. Dor pelo dano e sofrimento das vítimas e suas famílias, que viram traída a confiança que depunham nos ministros da Igreja. Dor pelo sofrimento das comunidades eclesiais, e dor também por vós, irmãos, que, além do desgaste pela entrega, experimentastes o dano que provoca a suspeita e a contestação, que pode ter insinuado – em alguns ou muitos – a dúvida, o medo e a difidência. Sei que, às vezes, sofrestes insultos no metropolitano ou caminhando pela rua; que, em muitos lugares, se está a «pagar caro» andar vestido de padre. Por isso, convido-vos a pedir a Deus que nos dê a lucidez de chamar a realidade pelo seu nome, a coragem de pedir perdão e a capacidade de aprender a escutar o que Ele nos está a dizer, e não ruminar a desolação.

Gostaria de acrescentar ainda outro aspeto importante. As nossas sociedades estão a mudar. O Chile de hoje é muito diferente do que conheci no tempo da minha juventude, quando me estava a formar. Estão a nascer novas e variadas formas culturais, que não se enquadram nos contornos habituais. E temos de reconhecer que, muitas vezes, não sabemos como nos inserir nestas novas situações. Frequentemente sonhamos com as «cebolas do Egito» e esquecemo-nos de que a terra prometida está à frente, e não atrás. Que a promessa é de ontem, mas diz respeito ao amanhã. E então podemos cair na tentação de nos fecharmos e isolarmos para defender as nossas posições que acabam por ser apenas bons monólogos. Podemos ser tentados a pensar que tudo está mal e, em vez de professar uma «boa nova», tudo o que professamos é apatia e deceção. Assim, fechamos os olhos perante os desafios pastorais, pensando que o Espírito não tenha nada a dizer. Deste modo esquecemo-nos de que o Evangelho é um caminho de conversão, mas não só «dos outros», também nossa.

Gostemos ou não, estamos convidados a enfrentar a realidade como ela se nos apresenta: a realidade pessoal, comunitária e social. As redes – dizem os discípulos – estão vazias, e podemos compreender os sentimentos que isso gera. Regressam a casa sem grandes aventuras para contar; regressam a casa de mãos vazias; regressam a casa, abatidos.

Que resta daqueles discípulos fortes, corajosos, vivazes, que se sentiam escolhidos tendo deixado tudo para seguir Jesus (cf. Mc 1, 16-20)? Que resta daqueles discípulos seguros de si, prontos a ir para a prisão e até dariam a vida pelo seu Mestre (cf. Lc 22, 33), que, para O defender, queriam mandar vir fogo sobre a terra (cf. Lc 9, 54); que, por Ele, desembainhariam a espada e combateriam (cf. Lc 22, 49-51)? Que resta do Pedro que repreendia o seu Mestre dizendo-Lhe como é que deveria orientar a sua vida (cf. Mc 8, 31-33), o seu programa de redenção? A desolação.

2. Pedro tratado com misericórdia e a comunidade tratada com misericórdia
É a hora da verdade, na vida da primeira comunidade. É a hora em que Pedro se confrontou com parte de si mesmo: a parte da sua verdade que muitas vezes não queria ver. Experimentou a sua limitação, a sua fragilidade, o seu ser pecador. Pedro, o instintivo, o chefe impulsivo e salvador, com uma boa dose de autossuficiência e um excesso de confiança em si mesmo e nas suas possibilidades, teve que se curvar à sua fraqueza e pecado. Era tão pecador como os outros, era tão carente como os outros, era tão frágil como os outros. Pedro dececionou Aquele a quem jurara proteção. Hora crucial na vida de Pedro.

Como discípulos, como Igreja, pode acontecer-nos o mesmo: há momentos em que somos confrontados, não com as nossas glórias, mas com a nossa fraqueza. Horas cruciais na vida dos discípulos, mas é também nessas horas que nasce o apóstolo. Deixemos o texto levar-nos pela mão.
«Depois de terem comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, tu amas-Me mais do que estes?”» (Jo 21, 15).

Depois de comer, Jesus convida Pedro a passear um pouco e a única palavra é uma pergunta, uma pergunta de amor: Amas-Me? Jesus não censura nem condena. Tudo o que Ele quer fazer é salvar Pedro. Quer salvá-lo do perigo de ficar fechado no seu pecado, de ficar «a mastigar» a desolação, fruto da sua limitação; salvá-lo do perigo de desistir, por causa das suas limitações, de todas as coisas boas que vivera com Jesus. Quer salvá-lo do fechamento e do isolamento. Quer salvá-lo daquela atitude destrutiva que é o vitimizar-se ou, ao contrário, cair num «vale tudo o mesmo», acabando por fazer malograr qualquer compromisso no mais danoso relativismo. Quer libertá-lo de considerar quem se opõe a Ele como se fosse um inimigo, ou de não aceitar com serenidade as contradições e as críticas. Quer libertá-lo da tristeza e sobretudo do mau humor. Com esta pergunta, Jesus convida Pedro a auscultar o seu coração e aprender a discernir. Uma vez que «não era de Deus defender a verdade à custa da caridade, nem a caridade à custa da verdade, nem o equilíbrio à custa de ambas. É preciso discernir. Jesus quer evitar que Pedro se torne um veraz destruidor ou um caritativo mentiroso ou um perplexo paralisado»,[2] como pode acontecer connosco em tais situações.

Jesus interpelou Pedro sobre o seu amor e insistiu nisso até ele Lhe poder dar uma resposta realista: «Senhor, Tu sabes tudo; Tu bem sabes que eu sou deveras teu amigo» (Jo 21, 17). E, deste modo, Jesus confirma-o na missão. Assim o faz tornar-se definitivamente seu apóstolo.
O que é que fortalece Pedro como apóstolo? O que é que nos mantém a nós como apóstolos? Uma coisa só: fomos tratados com misericórdia (cf. 1 Tim 1, 12-16). Fomos tratados com misericórdia. «Não obstante os nossos pecados, os nossos limites, as nossas faltas; não obstante as nossas numerosas quedas, Jesus Cristo viu-nos, aproximou-Se, deu-nos a mão e teve misericórdia de nós. (…) Cada um de nós poderá recordar, pensando em todas as vezes que o Senhor o viu, que olhou para ele, que se aproximou dele e o tratou com misericórdia».[3] E convido-vos a fazer o mesmo. Não estamos aqui por ser melhores do que os outros. Não somos super-heróis que, do alto, descem para se encontrar com os «mortais». Antes, somos enviados com a consciência de ser homens e mulheres perdoados. E esta é a fonte da nossa alegria. Somos consagrados, pastores segundo o estilo de Jesus ferido, morto e ressuscitado. A pessoa consagrada – e, quando digo «consagrados», penso em quantos aqui estão – é alguém que encontra, nas suas feridas, os sinais da Ressurreição. É alguém que consegue ver, nas feridas do mundo, a força da Ressurreição. É alguém que, segundo o estilo de Jesus, não vai ao encontro dos seus irmãos com a censura e a condenação.

Jesus Cristo não Se apresenta, aos seus, sem chagas; foi precisamente a partir das suas chagas que Tomé pôde confessar a fé. Estamos convidados a não dissimular nem esconder as nossas chagas. Uma Igreja com as chagas é capaz de compreender as chagas do mundo atual e de assumi-las, sofrê-las, acompanhá-las e procurar saná-las. Uma Igreja com as chagas não se coloca no centro, não se considera perfeita, mas coloca no centro o único que pode sanar as feridas e que tem um nome: Jesus Cristo.

A consciência de ter chagas, liberta-nos. É verdade; liberta-nos de nos tornarmos autorreferenciais, de nos considerarmos superiores. Liberta-nos da tendência «prometeica de quem, no fundo, só confia nas suas próprias forças e se sente superior aos outros por cumprir determinadas normas ou por ser irredutivelmente fiel a um certo estilo católico próprio do passado».[4]

Em Jesus, as nossas chagas ficam ressuscitadas. Tornam-nos solidários; ajudam-nos a derrubar os muros que nos encerram numa atitude elitista, incitando-nos a construir pontes e ir ao encontro de tantos sedentos do mesmo amor misericordioso que só Cristo nos pode dar. «Quantas vezes sonhamos planos apostólicos expansionistas, meticulosos e bem traçados, típicos de generais derrotados! Assim negamos a nossa história de Igreja, que é gloriosa por ser história de sacrifícios, de esperança, de luta diária, de vida gasta no serviço, de constância no trabalho fadigoso, porque todo o trabalho é “suor do nosso rosto”».[5] Vejo, com certa preocupação, que há comunidades que vivem acometidas pela ânsia de constar no cartaz, ocupar espaços, aparecer e se mostrar, mais do que pela vontade de arregaçar as mangas e sair para tocar a dolorosa realidade do nosso povo fiel.
Como nos interpela a reflexão deste Santo chileno, que advertia: «Por isso, serão métodos falsos todos os que são impostos pela uniformidade; todos os que pretendem encaminhar-nos para Deus, fazendo-nos esquecer os nossos irmãos; todos os que nos levam a fechar os olhos ao universo, em vez de nos ensinar a abri-los para elevar tudo ao Criador de todas as coisas; todos os que nos fazem egoístas e nos dobram sobre nós mesmos».[6]

O povo de Deus não espera nem precisa de nós como super-heróis, espera pastores, homens e mulheres consagrados, que conheçam a compaixão, que saibam estender uma mão, que saibam parar junto de quem está caído e, como Jesus, ajudem a sair desse círculo vicioso de «mastigar» a desolação que envenena a alma.

3. Pedro transfigurado e a comunidade transfigurada
Jesus convida Pedro a discernir e, assim, começam a ganhar força muitos acontecimentos da vida de Pedro, como o gesto profético do lava-pés. Pedro, que resistira a deixar-se lavar os pés, começava a compreender que a verdadeira grandeza passa por se fazer pequenino e servidor.[7]
Como é grande a pedagogia de nosso Senhor! Do gesto profético de Jesus à Igreja profética que, lavada do seu pecado, não tem medo de sair para servir uma humanidade ferida.

Pedro experimentou, na sua carne, a ferida não só do pecado, mas também das suas próprias limitações e fraquezas. Mas descobriu em Jesus que as suas feridas podem ser caminho de Ressurreição. Conhecer Pedro abatido para conhecer Pedro transfigurado é o convite a deixar de ser uma Igreja de abatidos desolados para passar a uma Igreja servidora de tantos abatidos que convivem ao nosso lado. Uma Igreja capaz de se colocar ao serviço do seu Senhor no faminto, no preso, no sedento, no desalojado, no nu, no doente... (cf. Mt 25, 35). Um serviço que não se identifica com o assistencialismo nem o paternalismo, mas com a conversão do coração. O problema não está em dar de comer ao pobre, vestir o nu, assistir o doente, mas em considerar que o pobre, o nu, o doente, o preso, o desalojado têm a dignidade de se sentar às nossas mesas, sentir-se «em casa» entre nós, sentir-se família. Este é o sinal de que o Reino de Deus está no meio de nós. É o sinal duma Igreja que foi ferida pelo seu pecado, foi cumulada de misericórdia pelo seu Senhor, e foi tornada profética por vocação.

Renovar a profecia é renovar o nosso compromisso de não esperar por um mundo ideal, uma comunidade ideal, um discípulo ideal para viver ou para evangelizar, mas criar as condições para que cada pessoa abatida possa encontrar-se com Jesus. Não se amam as situações nem as comunidades ideais, amam-se as pessoas.

O reconhecimento sincero, contrito e orante das nossas limitações, longe de nos separar de nosso Senhor, permite-nos retornar a Jesus, sabendo que, «com a sua novidade, Ele pode sempre renovar a nossa vida e a nossa comunidade, e a proposta cristã, ainda que atravesse períodos obscuros e fraquezas eclesiais, nunca envelhece. (…) Sempre que procuramos voltar à fonte e recuperar o frescor original do Evangelho, despontam novas estradas, métodos criativos, outras formas de expressão, sinais mais eloquentes, palavras cheias de renovado significado para o mundo atual».[8] Como nos faz bem a todos deixar que Jesus nos renove o coração!

Ao início deste encontro, disse-vos que vínhamos renovar o nosso «sim», com garra, com paixão. Queremos renovar o nosso «sim», mas um sim realista, porque apoiado no olhar de Jesus. Convido-vos, quando voltardes para casa, a preparar no vosso coração uma espécie de testamento espiritual, no estilo do cardeal Raúl Silva Henríquez expresso nesta linda oração que começa dizendo: «A Igreja que eu amo é a Santa Igreja de todos os dias... a tua, a minha, a Santa Igreja de todos os dias...

Jesus, o Evangelho, o pão, a Eucaristia, o Corpo de Cristo humilde em cada dia. Com os rostos dos pobres e os rostos de homens e mulheres que cantavam, que lutavam, que sofriam. A Santa Igreja de todos os dias».

Pergunto-te: Como é a Igreja que tu amas? Amas esta Igreja ferida, que encontra vida nas chagas de Jesus?

Obrigado por este encontro. Obrigado pela oportunidade de renovar o «sim» convosco. A Virgem do Carmo vos cubra com o seu manto.

Por favor, não vos esqueçais de rezar por mim. Obrigado!
Fonte: aqui

sábado, 20 de janeiro de 2018

Três dias para três mensagens do Papa no Chile


Perdão, dignidade e esperança. Três palavras que guiam os passos do Papa Francisco num programa de encontros, celebrações e gestos durante os três dias da visita ao Chile, em três regiões do país. Em qualquer dos momentos, a determinação do Papa foi a mesma: convocar todos, as várias culturas e os diferentes valores de um povo para a construção de um amanhã reconciliado. E sempre nessas três etapas: a partir do perdão, não abdicando da dignidade e num horizonte marcado pela esperança. Assim aconteceu quando se referiu aos casos de abusos sexuais por parte de membros do clero, no encontro com quem está preso, aproximando-se de povos e culturas indígenas, nos protagonismo dado aos jovens do país e sempre que colocou na sua voz os “gritos dos pobres” que esperam justiça. Ontem como hoje!
Os casos de abusos sexuais por parte de membros do clero é uma ferida aberta na Igreja Católica, nomeadamente no Chile. O Papa disse-o. Assumiu-o! E tratou de indicar como ultrapassar um drama pelo qual sente “vergonha”, pede perdão e deseja ver resolvido. Após incluir o tema no primeiro discurso em terra chilena, foi no encontro o clero e consagrados que se deteve no assunto para apontar soluções: “peçamos a Deus que nos dê a lucidez de chamar a realidade pelo seu nome, a valentia de pedir perdão e a capacidade e aprender a escutar o que Ele nos está a dizer e não a permanecer na desolação”.
Perdão, dignidade, esperança…
Vale apena revisitar o discurso a 500 reclusas, os momentos de improviso do Papa, as referências ao tango argentino e a citação bíblica que se transformou em sentença popular, rapidamente dita em coro quando o Francisco começou a enunciar o seu enunciado: “Quem não tem pecado… que atire a primeira pedra!”.
Na prisão de Santiago, o Papa falou também da necessidade de pedir perdão, num primeiro momento. Ma foi aí que elevou mais alto a sua voz contra quem atenta contra a dignidade de mulheres e homens: “Estar privado da liberdade não é o mesmo que estar privado da dignidade. A dignidade não se toca, por nada. Cuida-se, protege-se, acaricia-se”. Depois, indicou a esperança, como nas várias ocasiões e circunstâncias, para insistir na reinserção de todas as mulheres que tinha diante de si. “Exijam isso a vós mesmas e à sociedade”.
Os passos do Papa, na permanente proximidade aos povos e culturas indígenas, mantiveram essa mensagem, num horizonte mais largo: tecer a unidade no país. Não com o acentuar distâncias entre ricos e pobres, povos autóctones e novos senhorios comerciais, culturas nativas e as que chegam de fora, tradições étnicas e instituições globais que se instalam na região. A harmonia acontece quando “cada parte souber partilhar a sua sabedoria com as outras”.
Em cada viagem do Papa, há sempre gestos, palavras, mensagens que a deixam na história. A que realizou ao Chile, a primeira etapa da quarta visita do Papa à América Latina,  tem no casamento que fez abordo do avião um episódio que vai permanecer na memória de todo o mundo; e, para os chilenos e povos da região, não vão desaparecer facilmente da memória as palavras do Papa sobre os casos de abuso sexual no país por parte de membros do clero. Mas a presença de Francisco é muito mais do que isso. E mesmo que as referências imediatas a um programa de três dias no Chile remetam para casos particulares, as três mensagens essenciais – o perdão, a dignidade e a esperança – provocam transformações de fundo, com consequências imediatas e sobretudo com manifestações mais distantes no tempo. E são essas as que vão permanecer na história. Do Papa, dos chilenos e de quem segue os seus passos.
Paulo Rocha, Agência Ecclesia, aqui

O meu 'vizinho'

20 de janeiro, é Dia do meu Vizinho.

Provérbios:
* Deus nos livre  dos maus vizinhos ao pé da porta.
* Cada um de nós só é bom enquanto os vizinhos quiserem.
* Má vizinhança à porta é pior que lagarta na horta.
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À luz destes provérbios, eu tenho o melhor vizinho do mundo.
Aliás somos velhos conhecidos. Nasci numa paróquia em que São Sebastião é o padroeiro. Sou de uma diocese em que o padroeiro principal é São Sebastião. Passei por uma paróquia onde o padroeiro é  São Sebastião. Há 27 anos que São Sebastião é meu vizinho.
Damo-nos maravilhosamente bem. É discreto, compreensível, não faz barulho em casa que incomode, sempre disposto a ajudar, não é embirrento, bom conselheiro, com uma história de vida que nem lhes digo nem lhes conto!... Marcada pela inteligência, pela coragem, pelo testemunho. Fantástica!
Como não é de muitas falas, não sei o que ele pensa de mim como vizinho. Mas sabe que sou seu amigo e o admiro.
Peço-te mais uma vez que intercedas por mim junto d'AQUELE de quem deste tão belo testemunho durante a tua passagem por este mundo.
E porque testemunhaste tão belamente uma vivência comunitária, peço, amigo mártir Sebastião,  por esta paróquia, pela minha família e amigos, pela Igreja e pelas pessoas de todo o mundo.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

«Esta economia mata»

«Esta economia mata»
D. Manuel Linda, Bispo das Forças Armadas e de Segurança


Segundo ele próprio me contou, um amigo meu começou a sentir um incómodo numa perna, cada vez mais acentuado: primeiro era um ligeiro torpor, depois passou a dor e dificuldade de «fazer força» nela, até chegar a uma certa paralisia. Recorreu a um médico privado, com boa fama, que lhe pintou a coisa de negro: que isso teria a ver com a coluna, que poderia ser degenerativo, que não esperasse recuperação. E mandou-lhe fazer exames, muitos exames.
Vendo a coisa mal parada devido ao volume dos meios de diagnóstico e ao que isso lhe custaria, o meu amigo, prudentemente, recorreu ao médico de família que o encaminhou para um ortopedista das consultas externas. Como era previsível, este preceituou-lhe uma bateria de exames. Obviamente, tudo isto demorou muito tempo. Tanto que o primeiro médico esqueceu.
É neste contexto que o meu amigo se lembrou de um acidente de trabalho, sofrido alguns anos antes. Acudiu ao médico da empresa que o encaminhou para a seguradora.
Qual não é o seu espanto quando viu que o médico que o atendeu, afinal, era o primeiro a quem tinha recorrido. Mas, passado tanto tempo, o clínico não reconheceu o antigo paciente. Era a mesma pessoa, embora a postura tivesse mudado do dia para a noite: enquanto, na clínica privada, era todo sorrisos e simpatia, agora, na seguradora, usou de uns modos tão exasperados e de uma cara tão furiosa que mais fazia lembrar dois inimigos, frente a frente, que as circunstâncias obrigassem a confrontar e digladiar.
Porém, a grande surpresa viria de seguida. Com toda a convicção sentenciou que isso não era nada, que qualquer pessoa sente as pernas cansadas, que nada provava a relação causa-efeito do tal acidente, enfim, que a seguradora não iria fazer nada por esse caso. E o meu amigo teve de recorrer ao tribunal de trabalho que lhe atribuiu uma elevada percentagem de invalidez.
O que mais chama a atenção neste caso é a camisa-de-forças em que o médico se encontra: por um lado, ele precisa de ganhar a vida e de procurar trabalho onde lho dão; mas, como assalariado, a seguradora só o contrata enquanto lhe der lucro. E o lucro, neste caso, passa por evitar, a todo o custo, qualquer possível gasto com os segurados ou assumir responsabilidades que conduzam a indemnizações.
Evidentemente, este caso funciona apenas como exemplo. Porque a realidade da economia, pelo menos nas grandes multinacionais, faz-se quase sempre dessa forma: gestores e outros quadros elevados são pagos a peso de ouro para «declararem guerra» ao consumidor e lhe extorquir o máximo em troca dos serviços ou produtos tão mínimos quanto possível.
Ah, grande Papa Francisco! Como é verdadeira essa frase que, só por si, já poderia marcar a grandeza de um pontificado: “Esta economia mata”! Mata os que estão por baixo, os pobres, os que não têm forças para se defenderem deste novo monstro que declarou guerra à pessoa concreta, pois só lhe interessam os números dos balancetes e o «índice de desempenho» dos que são pagos para lhe fazerem o jogo.
Até quando?
Fonte: aqui

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Quem será o próximo Bispo do Porto?


Como sabemos, D. António Francisco dos Santos, bispo do Porto, faleceu de  morte súbita em 11 de setembro do ano passado, vítima de um ataque cardíaco fulminante.
Quem lhe sucederá?
Segundo o Público (aqui) e o Observador (aqui), o novo Bispo do Porto deverá ser conhecido ainda este mês.
Ambos os jornais avançam com três nomes: D. Virgílio Antunes (bispo de Coimbra e antigo reitor do Santuário de Fátima); D. Manuel Linda (bispo das Forças Armadas), e D. António Augusto de Azevedo (bispo auxiliar do Porto), enviados pelo Núncio Apostólico para Roma, Congregação para os Bispos a quem compete emitir um parecer que será depois avaliado pelo Papa Francisco, detentor da última palavra na escolha do futuro líder da Igreja do Porto.
Com mais de dois milhões de habitantes, espalhados por 477 paróquias de 26 concelhos, a diocese do Porto é a maior do país.


Nestas coisas, os jornais nem sempre acertam. Circula até que, para alguém não ser nomeado para tal ou tal diocese, é suficiente que apareça nos jornais...
Dado o secretismo que envolve todo o processo, o mesmo é objeto de muitas especulações. Muitas vezes as fontes contactadas pela comunicação social falam mais do que acham, do que gostavam, do que ouvem...
Sendo assim, resta aguardar para ver.
Em Setembro de 2015, o próprio Papa insistiu na necessidade de tratar estes processos com mais celeridade. Tudo em nome de uma maior “proximidade e prontidão” na resposta do Vaticano às igrejas locais.
Só que pelos casos pendentes em Portugal, parece que o Papa não foi escutado. Não sei o que se passa noutras zonas do mundo, sei que neste país, por norma,  demora uma eternidade a substituição de um Bispo diocesano.

domingo, 14 de janeiro de 2018

Queiramos ou não, a política e os políticos mexem com a nossa vida


Quando se fala de política e de políticos, há muita gente que põe cara de enjoada  e mostra-se enfastiada com o assunto, destilando o chavão: "Eles são todos iguais, o que querem é tacho."
Queiramos ou não,  a política e os políticos têm um papel fundamental no nosso viver coletivo e na vida de cada um.
Os que se afastam da política deixam  que muito da sua vida seja decidido pelos que participam. É muito fácil ficar no sofá ou na mesa do café a carregar nos políticos e políticas.  Mas isto leva a alguma coisa? Nada. Então o importante é a participação cívica através dos vários meios que, felizmente, a democracia põe à disposição dos cidadãos.
Foi ontem eleito o novo líder do PSD. O Dr. Rui Rio,  ex-autarca do Porto, foi eleito com 54% dos votos dos militantes do seu partido. A oposição tem assim um rosto novo. O atual governo, apoiado parlamentarmente pelos partidos de esquerda - a chamada "geringonça" - tem que lidar agora com um novo líder da oposição. Em democracia tão importante é quem governa como quem está na oposição.
O novo presidente do PSD prometeu "uma oposição firme e atenta, mas nunca demagógica ou populista".
Sabendo que há assuntos nacionais que requerem uma maioria qualificada e que esta precisa de contar com o PSD, concluímos como esta eleição partidária pode ser - ou não - importante para o futuro do país.
Além disso, quanto mais forte e decidida for a oposição, mais obrigado está o governo a 'dar corda aos sapatos', o que bem preciso é.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Livros em cima da mesa de cabeceira


OS DESPOJOS DO DIA
Durante um passeio pelo campo, após trinta anos de serviço em Darlington Hall, Stevens, o mordomo perfeito, reflecte sobre o passado, num esforço de se convencer de que serviu a Humanidade servindo um «grande homem», Lord Darlington.
Mas as recordações suscitam-lhe dúvidas quanto à verdadeira «grandeza» de Lord Darlington e dúvidas ainda mais graves quanto à natureza e ao sentido da sua própria vida...
Os Despojos do Dia é um estudo psicológico magistral e um retrato de uma ordem social e de um mundo em extinção, insular, pós-Segunda Guerra Mundial.
«Os Despojos do Dia é um livro de sonho. Uma comédia de costumes que evolui magnificamente até se tornar um estudo profundo e tocante sobre a personalidade, a classe e a cultura.»
Autor
Nascido em Nagasáqui, Japão, em 1954, Kazuo Ishiguro vive na Grã-Bretanha desde os cinco anos de idade. Descrito pelo New York Times como «um génio extraordinário e original», é autor de seis romances, cinco dos quais editados pela Gradiva - Os Despojos do Dia (1989, vencedor do Booker Prize), Os Inconsolados (1995, vencedor do Cheltenham prize), Quando Éramos Órfãos (2000, nomeado para o Booker Prize), Nunca me Deixes (2005, nomeado para o Booker Prize) e O Gigante Enterrado (2015) - além do livro de contos Nocturnos (2009).
Em 1995 foi feito Oficial da Ordem do Império Britânico, por serviços prestados à literatura, e em 1988 recebeu a condecoração de Chevalier de L'Ordre des Arts et des Lettres da República Francesa.
Fonte: aqui

                                              
Com É no peito a chuva, o novo trabalho, Gonçalo Naves, agora com 20 anos e a cursar o terceiro ano de Direito, vai evidenciando os meandros e perplexidades de uma dicotomia campo/cidade construída por personagens que surgem e se vão, como o camião do lixo madrugador, ou a locomotiva que o não é.
Fonte: aqui

São estes os meus dois atuais companheiros de mesa de cabeceira. Muitos distintos no estilo, na linguagem, na temática. Mas cada um com um sabor próprio e o seu poder enriquecedor do espírito.